Satélite natural

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Principais luas do Sistema Solar

Um satélite natural ou lua (em letra minúscula) ou ainda planeta secundário é um astro que circula em torno de um planeta principal, isto é, não orbita em torno de uma estrela. Por exemplo, a Lua é um satélite da Terra.

Porém, algumas luas são maiores que alguns planetas principais, como Ganímedes e Titã, satélites de Júpiter e Saturno, respectivamente, que são maiores que Mercúrio e Plutão. Assim sendo estes satélites, se orbitassem o Sol, seriam mundos de pleno direito. Apesar disso, existem outros satélites que são muito menores e têm menos de 5 km de diâmetro, como várias luas do planeta Júpiter.

Caronte, a lua de Plutão tem mais ou menos metade do diâmetro deste último, o que leva certos astrônomos a pensarem no conjunto como um planeta duplo. De facto, o próprio sistema Terra-Lua (apesar desta última não ter mais do que um quarto do diâmetro da Terra) é, também, considerado como um planeta duplo.

 

História de descoberta

Os primeiros satélites (exceptuando a Lua) só foram descobertos no início do século XVII por Galileu Galilei (provavelmente Simon Mateu já os havia observado), e foi ele que chamou a essas luas que descobriu de Io, Europa, Ganímedes e Calisto, nomes de personagems mitológicas relacionadas com Júpiter, o planeta que estas quatro luas orbitam.

45 anos depois é descoberta uma grande lua em Saturno a que se chamou de Titã, e pensou-se que se tratava da maior lua jamais vista. Hoje sabe-se que Ganímedes é maior que Titã.

Não obstante e até ao final do século XVII, só mais quatro satélites foram descobertos em Saturno. No século XVIII são descobertas mais duas luas em Saturno e duas em Urano.

Até o desembarque do Homem na Lua, eram conheciadas duas em Marte, cinco em Júpiter, nove em Saturno, cinco em Urano e duas em Netuno.

Nos dias de hoje com as sondas espaciais que exploraram todo o sistema solar, passou-se a conhecer um grande número de satélites a orbitar os planetas exteriores e conheceu-se de perto as grandes luas do sistema solar. Assim são conhecidas, até a data: uma na Terra, duas em Marte, 63 em Júpiter, 49 em Saturno, 27 em Urano, 13 em Saturno e 3 em Plutão. De facto, Mercúrio e Vénus não têm satélites naturais.

De notar, que grande partes destes satélites são apenas pedaços de rocha ou gelo em forma de batata a girar em torno de um planeta e não planetas secundários perfeitamente formados com uma forma razoavelmente esférica tal como a Lua da Terra ou as colossais luas de Júpiter. Ao todo no sistema solar, existem 20 dessas grandes luas, a maior é Ganímedes com mais de 5000 km de diâmetro e a menor é Mimas com cerca de 400 km.

Recentemente descobriu-se que alguns asteróides como o Ida (que tem o satélite Dactyl, descoberto pela sonda Galileu), possuem satélites naturais.

 

Formação ou aparecimento dos satélites naturais

Existem, basicamente, três formas de criação dos sistemas Planeta/Satélite: formação simultânea; captura; e processos catastróficos.

No caso da formação simultânea, o satélite tem a sua génese simultaneamente à do planeta principal. Durante a fase da sua formação chamada de acreção o proto-satélite já está em orbita do planeta principal. Este tipo de processo de formação de satélites parece ser o mais importante no caso dos satélites de maiores dimensões.

No caso do satélites mais pequenos e com orbitas menos regulares, o processo de formação parece estar relacionado com a captura. Neste caso, os satélites são desviados das suas orbitas iniciais pela acção dos campos gravíticos dos planetas e são colocados em órbitas mais ou menos estáveis em torno desses mesmos planetas.

Nos processos catastróficos, como por exemplo (possivelmente) no caso da Lua, a formação é efectuada através da força de um impacto entre corpos planetários.

 

Luas do sistema solar

Algumas luas são bastante grandes, caso orbitassem o sol seriam planetas, outras são tão pequenas como asteróides comuns. As maiores luas são a Lua da Terra, as Luas de Galileu em Júpiter: Io, Europa, Ganímedes e Calisto, Titã de Saturno e Tritão de Neptuno.

Tabela das principais luas do sistema solar
Nota: as luas de Marte são bastante pequenas, comparáveis às luas dos planetas exteriores que não foram incluídas nesta tabela.

Planeta N.º ordem Nome Diâmetro (km) Massa (kg) Densidade (g/cm3) Período orbital (dias) Magnitude Data de descoberta Descobridor
Mercúrio   Não possui qualquer lua.
Vénus   Não possui qualquer lua.
Terra I Lua 3476,2 7,35×1022 3,35 27,32 -12,7 - -
     
Marte I Fobos 22,2 10,08×1016 0,32 1,90 11,3 1877 Asaph Hall
  II Deimos 12,6 2,24×1015 1,26 2,20 12,4 1877 Asaph Hall
     
Júpiter I Io 3642,6 8,93×1022 3,53 1,77 5,0 1610 Galileu Galilei
  II Europa 3121,6 4,80×1022 3,01 3,55 5,0 1610 Galileu Galilei
  III Ganímedes 5262,4 1,48×1023 1,94 7,16 4,6 1610 Galileu Galilei
  IV Calisto 4820,6 1,08×1023 1,83 16,69 5,6 1610 Galileu Galilei
    E, 59 pequenos satélites naturais.
Saturno I Mimas 397,2 3,84×1019 1,17 0,94 12,9 1789 William Herschel
  II Encélado 498,8 1,08×1020 1,61 1,37 11,7 1789 William Herschel
  III Tétis 1059,8 6,18×1020 0,99 1,89 10,2 1684 Giovanni Cassini
  IV Dione 1118,0 1,10×1021 1,50 2,73 10,2 1684 Giovanni Cassini
  V Reia 1528,0 2,32×1021 1,24 4,52 9,7 1672 Giovanni Cassini
  VI Titã 5150,0 1,345×1023 1,88 15,95 8,3 1655 Christian Huygens
  VII Jápeto 1436,0 1,97×1021 1,27 79,32 10,2-11,9 1671 Giovanni Cassini
    E, 42 pequenos satélites naturais.
Urano V Miranda 471,6 6,59×1019 1,20 1,41 16,5 1948 Gerard Kuiper
  I Ariel 1157,8 1,35×1021 1,67 2,52 14,4 1851 William Lassell
  II Umbriel 1169,4 1,20×1021 1,40 4,14 15,3 1851 William Lassell
  III Titânia 1577,8 3,53×1021 1,72 8,71 14,0 1787 William Herschel
  III Oberon 1522,8 3,01×1021 1,63 13,46 14,1 1787 William Herschel
    E, 22 pequenos satélites naturais.
Neptuno VIII Proteu 418,0 5,00×1019 1,30 1,12 20,0 1989 Sonda Voyager 2
  I Tritão 2706,8 2,147×1022 2,05 5,88 13,6 1846 William Lassell
    E, 11 pequenos satélites naturais.
Plutão I Caronte 1205,0 1,58×1021 1,73 6,39 16,8 1978 James Christy
    E, 2 pequenos satélites naturais.

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